Um dia, questionado sobre o quanto ela me amava, já não soube responder. Decidi então questioná-la. Se alguém poderia me dar esse tipo de resposta, não haveria ninguém melhor que a própria. Feita a pergunta, matada foi a curiosidade: "Não. Mas o que fazemos é legal." E como numa via de mão dupla, fui atingido por uma antítese, ou qualquer uma destas figuras de linguagem que relatem o quão contrário pode ser um momento. Nao queria aceitar tão fria resposta e não podia deixar de sentir alívio.
Então concordei. É, o que fazemos é legal.
Tempos depois, cansado de fazer as coisas legais que faziamos, me enjoei dela e já que coisas legais não são amor, decidi trocá-la. Não amaria mais um brinquedo do que amei-a. Decidi então que era melhor que ela soubesse, assim teria tempo suficiente pra arranjar outro passatempo. Chamei-a. Fizemos coisas legais e eu então disse: "Baby, já não há mais graça nisso.". E parece que toda a graça acabou.
Ela negou. Disse que me amava.
Ousou dizer que eu brinquei com ela. Que aproveitei de seus sentimentos, de sua infância, de seu platonismo. Que usei minhas piadas. Que inventei coisas legais para satisfazer meus próprios desejos. Ora, sempre achei que tivessemos algo. Sempre achei que você me tinha como sua. Sempre achei que você era meu.
E era. Eu era seu, enquanto amor.
Mas você sim quis jogar. Coisas legais cansam e me cansei de você querida. Neste momento, estou afim de achar alguém que eu possa amar, achar alguém com quem eu possa sofrer. Realmente, fizemos tantas coisas legais, mas baby, não gosto de repetir piadas. Pare de chorar, toda partida uma hora acaba. Você não gozou por tempo suficiente?
E com isso sai rindo. De todas as piadas, aquela foi a mais engraçada.
Meu mais amável amigo
Todos que conheço
Acabam indo embora
Você podia ter tudo isso
Meu império de sujeira
Vou te decepcionar
Vou te fazer sofrer
— Trent Reznor
Ando fugindo daqui. Ando correndo dos meus pensamentos, tentando deixá-los adormecidos, pelo menos enquanto conseguir evitá-los. Não que eles tenham mudado muito, ou que tenham sumido. Só não quero e não sei se posso lutar com meus monstros agora... mas eles continuam vivos. Acho que me deram um tempo. Ou em venci mesmo uma das batalhas e eles preparam uma revanche. Mas nenhum desses é o ponto.
O ponto é que eu simplesmente não quero sentir, ouvir, falar. E além de não querer também não posso. O tempo não anda propício pras minhas lamentações e dos meus amores ando cansado mais que nunca. Por isso, se posso tirar algo bom desse tempo é o silêncio...
E como é bom tentar calar a minha mente.
Sem chá por hoje.
Quer dizer, alguma espécie de coincidência os torna valiosos, e não apenas os textos em si?
Tower riu.
— Meu rapaz, a maioria das pessoas que coleciona livros raros nem chega a abrir
suas aquisições. Abrir e fechar um livro danifica a lombada. Daí prejudica o preço de revenda.
— Isso não lhe parece um comportamento meio doentio?
— De jeito nenhum — disse Tower, mas um rubor denunciador lhe subiu pela face.
Parecia que parte dele concordava com Eddie. — Se um cliente gasta 8 mil dólares numa
primeira edição assinada do Tess dos D’Urbevilles, de Hardy, faz perfeito sentido pôr o livro
num lugar seguro, onde possa ser admirado mas não tocado. Se o cara quiser realmente
ler a história, que compre uma brochura da Vintage.
— Você acredita nisso — disse Eddie, fascinado. — Você acredita mesmo nisso.
várias formas. Às vezes, basta a assinatura do autor para criá-lo. Outras, como neste caso, é
um erro de tipografia. Às vezes é uma primeira impressão, primeira edição, extremamente
pequena. E alguma coisa disso tem a ver com o motivo que o trouxe aqui, Sr. Dean? É sobre
isso que queria... confabular?
— Não, acho que não."
Eddie Dean e Calvin Tower em A Torre Negra V - Lobos de Calla.
Mas lá no fundo, sou eu pensando na minha obsessão.
Queria ser só um louco que te liga de vez em quando. Aquela espécie de louco que faz você pensar em trocar o número do celular, que faz você pensar no porquê de um dia vocês terem ficado juntos. Ser o tipo de louco que te vigia da esquina. Aquele louco que você queria muito que morresse ou que fosse internado. Mas não sou... e pior ainda que isso é que você também sabe que não. E você não me quer morto, nem internado. Você me quer só assim, como deve ser. E é isso que torna as coisas mais complicadas. É mais fácil aceitar a sua recusa do que acreditar que não podemos. De novo, não podemos.
E não preciso nem das sua voz, nem das suas risadas. Minha loucura grita pela sua pele, pela sua mão suada. Pelo seu cabelo (des)arrumado. Só queria sua presença. Hora errada pra esse tipo de drama...
Scott Matthews
We all bear the scars.
Yes, we all fail in love.
We all sigh in the dark;
get cut off before we start.
And as the first act begins,
you realize they're all waiting
for a fall, for a flaw,
for the end.
There's a path stained with tears,
could you talk to quiet my fears?
Could you pull me aside,
just to acknowledge that I've tried?
And as your last breath begins,
contently take it in,
because we all get it in
the end.
And as your last breath begins,
you find your demon's your best friend.
And we all get it in
the end.
CLIQUE
Ela só falou que amar não valia a pena
Ela disse que não acreditava em amor
Ela avisou que não queria nada sério
Ela apagou as lacunas em que ele estava
Quem é cruel agora?
Ele disse que amava
Ele disse que podia morrer num sorriso
Ele fez o pedido
Ele escreveu pra tentar não esquecer.
Quem é o bobo agora?
Eles sorriram um pro outro
Eles se destruiram
Eles correram no meio das pessoas
Eles tentaram ser feliz.
Quem está mentindo agora?
Os outros disseram que não daria
Os outros invejaram
Os outros simplesmente foram outros(as)
Outros foram o inferno.
Quem pode ser culpado?
Eu fiquei aqui olhando.
Eu vi minha face no espelho.
Eu sorri pra tentar negar.
Eu não fiz nada.
Quem faria diferente?
Sempre fui o tipo de cara que não era a segurança. Fui aquele que preferia não agir, não gritar. Fui quem deixou de se importar pra simplesmente poder passar em cinza pelos lugares. Andei pelas ruas tentando me esconder até do vento. Não acreditei em mim, nos meus sonhos. Pisei nas minhas ilusões pra poder imaginar um mundo de casas de cera. Coloquei meu capuz e me arrastei por calçadas tentando não chamar atenção. Fingi risos e discuti sobre outras opiniões que não as minhas. Fiquei sentado vendo meus filmes esperando o mundo lá fora correr, girar, explodir e levar todos dele. Li meus livros porque neles a história não era a minha. Escutei minhas musicas baixinho porque preferi que ninguém procurasse daonde aquele som vinha. Tomava meu banho, me deitava e via o teto. Ali era o lugar mais seguro. Na minha jaula, era só eu. Nos meus desenhos, colocava todo o grafite que injetei em meu sangue. Todo o preto. Não tratavasse de viver. Tratavasse de não morrer. Não podia acreditar nas minhas próprias mentiras, não podia me concretizar em não existir. Nas garrafas e cigarros jogados pela sala, via a vastidão do meu próprio minimalismo. Eu não era. Eu não tinha. O sabor insosso de lugares, prédios. O gostar da sensação de não sentir. A distância de tudo. Então, um dia você me notou.
E eu percebi que fugia à toa.
Coisas legais
Então concordei. É, o que fazemos é legal.
Tempos depois, cansado de fazer as coisas legais que faziamos, me enjoei dela e já que coisas legais não são amor, decidi trocá-la. Não amaria mais um brinquedo do que amei-a. Decidi então que era melhor que ela soubesse, assim teria tempo suficiente pra arranjar outro passatempo. Chamei-a. Fizemos coisas legais e eu então disse: "Baby, já não há mais graça nisso.". E parece que toda a graça acabou.
Ela negou. Disse que me amava.
Ousou dizer que eu brinquei com ela. Que aproveitei de seus sentimentos, de sua infância, de seu platonismo. Que usei minhas piadas. Que inventei coisas legais para satisfazer meus próprios desejos. Ora, sempre achei que tivessemos algo. Sempre achei que você me tinha como sua. Sempre achei que você era meu.
E era. Eu era seu, enquanto amor.
Mas você sim quis jogar. Coisas legais cansam e me cansei de você querida. Neste momento, estou afim de achar alguém que eu possa amar, achar alguém com quem eu possa sofrer. Realmente, fizemos tantas coisas legais, mas baby, não gosto de repetir piadas. Pare de chorar, toda partida uma hora acaba. Você não gozou por tempo suficiente?
E com isso sai rindo. De todas as piadas, aquela foi a mais engraçada.
H-I-A-T-U-S*
Meu mais amável amigo
Todos que conheço
Acabam indo embora
Você podia ter tudo isso
Meu império de sujeira
Vou te decepcionar
Vou te fazer sofrer
— Trent Reznor
Ando fugindo daqui. Ando correndo dos meus pensamentos, tentando deixá-los adormecidos, pelo menos enquanto conseguir evitá-los. Não que eles tenham mudado muito, ou que tenham sumido. Só não quero e não sei se posso lutar com meus monstros agora... mas eles continuam vivos. Acho que me deram um tempo. Ou em venci mesmo uma das batalhas e eles preparam uma revanche. Mas nenhum desses é o ponto.
O ponto é que eu simplesmente não quero sentir, ouvir, falar. E além de não querer também não posso. O tempo não anda propício pras minhas lamentações e dos meus amores ando cansado mais que nunca. Por isso, se posso tirar algo bom desse tempo é o silêncio...
E como é bom tentar calar a minha mente.
Sem chá por hoje.
Lá nos livros...
Quer dizer, alguma espécie de coincidência os torna valiosos, e não apenas os textos em si?
Tower riu.
— Meu rapaz, a maioria das pessoas que coleciona livros raros nem chega a abrir
suas aquisições. Abrir e fechar um livro danifica a lombada. Daí prejudica o preço de revenda.
— Isso não lhe parece um comportamento meio doentio?
— De jeito nenhum — disse Tower, mas um rubor denunciador lhe subiu pela face.
Parecia que parte dele concordava com Eddie. — Se um cliente gasta 8 mil dólares numa
primeira edição assinada do Tess dos D’Urbevilles, de Hardy, faz perfeito sentido pôr o livro
num lugar seguro, onde possa ser admirado mas não tocado. Se o cara quiser realmente
ler a história, que compre uma brochura da Vintage.
— Você acredita nisso — disse Eddie, fascinado. — Você acredita mesmo nisso.
várias formas. Às vezes, basta a assinatura do autor para criá-lo. Outras, como neste caso, é
um erro de tipografia. Às vezes é uma primeira impressão, primeira edição, extremamente
pequena. E alguma coisa disso tem a ver com o motivo que o trouxe aqui, Sr. Dean? É sobre
isso que queria... confabular?
— Não, acho que não."
Eddie Dean e Calvin Tower em A Torre Negra V - Lobos de Calla.
Mas lá no fundo, sou eu pensando na minha obsessão.
E não preciso nem das sua voz, nem das suas risadas. Minha loucura grita pela sua pele, pela sua mão suada. Pelo seu cabelo (des)arrumado. Só queria sua presença. Hora errada pra esse tipo de drama...
♪
Scott Matthews
We all bear the scars.
Yes, we all fail in love.
We all sigh in the dark;
get cut off before we start.
And as the first act begins,
you realize they're all waiting
for a fall, for a flaw,
for the end.
There's a path stained with tears,
could you talk to quiet my fears?
Could you pull me aside,
just to acknowledge that I've tried?
And as your last breath begins,
contently take it in,
because we all get it in
the end.
And as your last breath begins,
you find your demon's your best friend.
And we all get it in
the end.
CLIQUE
Ela disse que não acreditava em amor
Ela avisou que não queria nada sério
Ela apagou as lacunas em que ele estava
Quem é cruel agora?
Ele disse que amava
Ele disse que podia morrer num sorriso
Ele fez o pedido
Ele escreveu pra tentar não esquecer.
Quem é o bobo agora?
Eles sorriram um pro outro
Eles se destruiram
Eles correram no meio das pessoas
Eles tentaram ser feliz.
Quem está mentindo agora?
Os outros disseram que não daria
Os outros invejaram
Os outros simplesmente foram outros(as)
Outros foram o inferno.
Quem pode ser culpado?
Eu fiquei aqui olhando.
Eu vi minha face no espelho.
Eu sorri pra tentar negar.
Eu não fiz nada.
Quem faria diferente?
E eu percebi que fugia à toa.