É de amar e sentir saudades
De gritar e não ser ouvido
De ficar mudo
Ah, se não é de dor
É de sentir todo o mundo
É de correr pro bueiro
De andar na lama
De ter areia no tênis
Se fosse fácil
Não seria assim tão assim
É também de chorar
De dormir sozinho no sofá
De sorrir prum copo d'água
Ah, é de gargalhar
É de não achar graça
Porque se é de amar
É assim mesmo
É tudo e nada
Tudo ou alguma coisa
Nada e muito
É sexo
É drogas
É rock, samba, é silêncio
Um gemido no escuro
A mão cruzada na praça
O dedo no lugar errado
A boca no lugar certo
O riso no telefone
A palavra na cabeça
O nome pra chamar de seu
A pessoa pra chamar de minha
O recado na geladeira
A carta no fogo
O choro na cama
A piada no cinema
O filme de duas vidas
A coisificação em uma
O perfumo na camiseta
A calça no chão
O pensamento longe
A vontade tão perto
O lugar do começo
A tristeza de um final.
É pra matar de morrer e não é pra fazer nada. Não faça nada.
Não pense, não raciocine. Não racionalize. Não eduque-se.
Brinque. Se machuque. Não se prenda na merda da sua vida, não arrisque seu tempo na frente de uma tela. Não viva nos filmes, não se alimente dos livros, não durma com suas revistas.
Abrace. Abrace e sinta. E se não sentir não deixe de abraçar. Por favor, não desista de ser humano. Não, não é uma defesa de raça... é uma defesa de pessoas. Não é um texto de auto-ajuda, não é um e-mail, não é nada de bom. É uma súplica, não se esfrie.
E se no final você amar por dois (como diz a música), chore e esperneie, morra de novo. Se achar que deve, se mate. De verdade, sem literalidade. Se mate. Mas morra como alguém que amou e como alguém que viveu. Morra sabendo que existiu. Não passe a toa na merda do mundo, não seja uma merda maior do que a que você já nasceu sendo. Finja que mereceu viver.
Porque essa é de amor.
Desacostumei com a solidão mas não me acostumo com o público. Desaprendi a ser meio quieto e não aprendi a ser assim, meio barulhento. Ainda me assusto com pessoas e ainda assusto pessoas. Não porque sou estranho, nem porque sou diferente, nem porque nenhum.
[de repente, continua]
E de repente tudo é sobre mudar.
Se eu queria deixar tudo isso? Acho que não. Posso odiar muita coisa, mas sei que amo muita coisa. Em momento algum queria deixar meus amigos, minha casa e etc. Mas eu vou.
Hoje sei que por motivos menos egoístas. Vou porque será melhor. Vou porque é minha chance. Vou triste, com saudades, vou querendo ficar.
Mas a empolgação me faz alegre. Minha ansiedade me empurra pra nova fase e o medo só me dá mais forças pra finalizar aquilo que comecei.
Não deixo meus amores e nem levo rancores. Não quero perder nenhuma amizade e quero menos ainda amar menos quem eu amo. Quero sentir saudades e voltar pra dizer.
Quero chorar de abandono e sorrir quando chegar e for abraçado.
Vou pra viver a minha vida, mesmo deixando uma parte dela aqui. A maior parte.
Deixo com quem não vai comigo minhas lembranças e espero mesmo que possa voltar sempre pra vocês, porque eu quero vocês pra sempre comigo.
Se vou, quero voltar melhor. Melhor que ninguém além de mim mesmo.
E se sofro agora pra ir e recusar me arrepender é porque espero ter um lugar pra voltar. E ter quem encontrar quando voltar.
Aprendi a amar aqui. E é praqui que sempre vou voltar.
-dedico as pobres palavras a meus amigos. Em especial a Rô. Se não desisti dos planos, é porque você tava lá pra me apoiar. Te amo, e é assim-
-também vai pro pai e mãe... mas com eles a história é outra-
Eu não sei como é não pensar em você. Ficar sem criar situações e ilusões pra te ver. Não sei como não ter você. Dói. Eu também não sei como te ter. Não sei mais o que fazer pra trazer você pra mim. É um querer tão não querendo que às vezes acho que só me engano. Mas posso me enganar tanto a ponto de acreditar que é tudo verdade e que é tudo maior que eu? Maior que nós.
E a gente tá sempre querendo se ver. Sempre se querendo. Sempre se devorando. Mas a gente nunca ta junto. Mas eu quero. E você também.
Parece que em algum momento, a vida te põe em um lugar e te dá duas opções de caminho. Uma placa indica o caminho do futuro, o caminho que vai te levar a ser uma médica, um engenheiro, uma prostituta ou um viciado. O caminho do futuro é o mais complicado e se for feito com cuidado te levará pra algo bom, mesmo que esse caminho se bifurque em tantos outros.
A outra placa aponta pra felicidade. Não uma felicidade programada de um ser adulto, que no caminho do futuro aprendeu a ser feliz com aqueles que pegaram o mesmo caminho e nunca vai perceber que é tudo uma mentira. Não, não é esse o caminho da felicidade. Esse outro caminho vai te levar pra sua felicidade infantil, praquela parte do mundo que você imaginou quando era pequeno e sempre quis acreditar que podia ser real. Nesse caminho criam-se os heróis, os ditadores, os hippies e os diretores de criação.
Ambos os caminhos vão estar cheio de fracassados caídos no chão. A diferença é que de um lado os fracassados vão estar fantasiados de escritores falidos, teoristas da conspiração e caçadores de ovnis. Do outro lado você vai ver mendigos desesperados, que perderam família, emprego e agora não sabem mais quem eram.
Nem todos vão ter tempo pra chegar no fim dos caminhos escolhidos. Ah, na verdade quase ninguém. E muitas vezes esses caminhos são maiores ou menores para uns ou outros. Mas ambos tem suas injustiças e nenhum deles garante que você vai ser mais ou menos feliz. Na verdade a felicidade é a única desgarantia do mundo. Se tem algo que você não pode contar e muito menos deve ficar colocando em metas é a droga da felicidade.
Mas não sei quando a divisão se dá. E não sei se você pode fingir criar outro caminho e se você conseguir, por favor, diga como fez. Porque eu quero acreditar que não preciso fazer uma escolha desse tipo e que as coisas não são assim tão cruéis.
Ele disfarçava seus desamores com os sorrisos de um perdedor vitorioso. De olhos fechados encontrava ela e elas. Mas disfarçava ainda mais ela nele. Dando tempo ao tempo que não passava, carinho praquelas em que tropeçava e mentiras pra que todos pudessem dormir a noite.
E os dias nunca passavam quando pensava nela. Se estendiam pelas horas, se arrastando e grudando como uma névoa nojenta e descolorida. Pensava mesmo que iam ficar juntos ou só achava que era o que queria? Será que sentia?
Mal-humorado compulsivo, com irritações crônicas, ironicamente sagaz e perturbadoramente dissimulado. Com uma fome de amargor e desejo pelo impossível. Alimentaria-se dela, viveria dela e dela tiraria o que o fizesse melhor.
Sofria de um mal extremo. Desejava-a. Um desejo doentio de tão egoísta. Sabia que não queria dar felicidade a ela. Se quisesse não poderia. Mas queria felicidade para si próprio. Como tratar seu egoísmo adquirido na falta de sensibilidade?
Dessa vez a faca não viu sangue. Dessa vez a faca não viu nada. Ninguém viu nada.
Decidido, cortou todo amor de dentro dele. No fio da navalha tirou ela, tirou elas e deixou um grande vazio carnicento. Seguiu assim, vivo e morto, podre e limpo. Optou por não usar da sua vida e morrer de olhos abertos.
Quando morreu, nessa história não com um tiro nos miolos, uma lâmina no peito ou enfiada no estômago. Não, nessa história morreu de velho. Mas morreu tão sozinho quanto os outros. Nessa história, de morte prematura só o espírito. De amor só uma vaga ideia.
É de amor
De gritar e não ser ouvido
De ficar mudo
Ah, se não é de dor
É de sentir todo o mundo
É de correr pro bueiro
De andar na lama
De ter areia no tênis
Se fosse fácil
Não seria assim tão assim
É também de chorar
De dormir sozinho no sofá
De sorrir prum copo d'água
Ah, é de gargalhar
É de não achar graça
Porque se é de amar
É assim mesmo
É tudo e nada
Tudo ou alguma coisa
Nada e muito
É sexo
É drogas
É rock, samba, é silêncio
Um gemido no escuro
A mão cruzada na praça
O dedo no lugar errado
A boca no lugar certo
O riso no telefone
A palavra na cabeça
O nome pra chamar de seu
A pessoa pra chamar de minha
O recado na geladeira
A carta no fogo
O choro na cama
A piada no cinema
O filme de duas vidas
A coisificação em uma
O perfumo na camiseta
A calça no chão
O pensamento longe
A vontade tão perto
O lugar do começo
A tristeza de um final.
É pra matar de morrer e não é pra fazer nada. Não faça nada.
Não pense, não raciocine. Não racionalize. Não eduque-se.
Brinque. Se machuque. Não se prenda na merda da sua vida, não arrisque seu tempo na frente de uma tela. Não viva nos filmes, não se alimente dos livros, não durma com suas revistas.
Abrace. Abrace e sinta. E se não sentir não deixe de abraçar. Por favor, não desista de ser humano. Não, não é uma defesa de raça... é uma defesa de pessoas. Não é um texto de auto-ajuda, não é um e-mail, não é nada de bom. É uma súplica, não se esfrie.
E se no final você amar por dois (como diz a música), chore e esperneie, morra de novo. Se achar que deve, se mate. De verdade, sem literalidade. Se mate. Mas morra como alguém que amou e como alguém que viveu. Morra sabendo que existiu. Não passe a toa na merda do mundo, não seja uma merda maior do que a que você já nasceu sendo. Finja que mereceu viver.
Porque essa é de amor.
[de repente, continua]
De quem vai... mesmo que volte.
Hoje sei que por motivos menos egoístas. Vou porque será melhor. Vou porque é minha chance. Vou triste, com saudades, vou querendo ficar.
Mas a empolgação me faz alegre. Minha ansiedade me empurra pra nova fase e o medo só me dá mais forças pra finalizar aquilo que comecei.
Não deixo meus amores e nem levo rancores. Não quero perder nenhuma amizade e quero menos ainda amar menos quem eu amo. Quero sentir saudades e voltar pra dizer.
Quero chorar de abandono e sorrir quando chegar e for abraçado.
Vou pra viver a minha vida, mesmo deixando uma parte dela aqui. A maior parte.
Deixo com quem não vai comigo minhas lembranças e espero mesmo que possa voltar sempre pra vocês, porque eu quero vocês pra sempre comigo.
Se vou, quero voltar melhor. Melhor que ninguém além de mim mesmo.
E se sofro agora pra ir e recusar me arrepender é porque espero ter um lugar pra voltar. E ter quem encontrar quando voltar.
Aprendi a amar aqui. E é praqui que sempre vou voltar.
-dedico as pobres palavras a meus amigos. Em especial a Rô. Se não desisti dos planos, é porque você tava lá pra me apoiar. Te amo, e é assim-
-também vai pro pai e mãe... mas com eles a história é outra-
E a gente tá sempre querendo se ver. Sempre se querendo. Sempre se devorando. Mas a gente nunca ta junto. Mas eu quero. E você também.
Sobre escolhas
A outra placa aponta pra felicidade. Não uma felicidade programada de um ser adulto, que no caminho do futuro aprendeu a ser feliz com aqueles que pegaram o mesmo caminho e nunca vai perceber que é tudo uma mentira. Não, não é esse o caminho da felicidade. Esse outro caminho vai te levar pra sua felicidade infantil, praquela parte do mundo que você imaginou quando era pequeno e sempre quis acreditar que podia ser real. Nesse caminho criam-se os heróis, os ditadores, os hippies e os diretores de criação.
Ambos os caminhos vão estar cheio de fracassados caídos no chão. A diferença é que de um lado os fracassados vão estar fantasiados de escritores falidos, teoristas da conspiração e caçadores de ovnis. Do outro lado você vai ver mendigos desesperados, que perderam família, emprego e agora não sabem mais quem eram.
Nem todos vão ter tempo pra chegar no fim dos caminhos escolhidos. Ah, na verdade quase ninguém. E muitas vezes esses caminhos são maiores ou menores para uns ou outros. Mas ambos tem suas injustiças e nenhum deles garante que você vai ser mais ou menos feliz. Na verdade a felicidade é a única desgarantia do mundo. Se tem algo que você não pode contar e muito menos deve ficar colocando em metas é a droga da felicidade.
Mas não sei quando a divisão se dá. E não sei se você pode fingir criar outro caminho e se você conseguir, por favor, diga como fez. Porque eu quero acreditar que não preciso fazer uma escolha desse tipo e que as coisas não são assim tão cruéis.
Daquele que não sentiu
E os dias nunca passavam quando pensava nela. Se estendiam pelas horas, se arrastando e grudando como uma névoa nojenta e descolorida. Pensava mesmo que iam ficar juntos ou só achava que era o que queria? Será que sentia?
Mal-humorado compulsivo, com irritações crônicas, ironicamente sagaz e perturbadoramente dissimulado. Com uma fome de amargor e desejo pelo impossível. Alimentaria-se dela, viveria dela e dela tiraria o que o fizesse melhor.
Sofria de um mal extremo. Desejava-a. Um desejo doentio de tão egoísta. Sabia que não queria dar felicidade a ela. Se quisesse não poderia. Mas queria felicidade para si próprio. Como tratar seu egoísmo adquirido na falta de sensibilidade?
Dessa vez a faca não viu sangue. Dessa vez a faca não viu nada. Ninguém viu nada.
Decidido, cortou todo amor de dentro dele. No fio da navalha tirou ela, tirou elas e deixou um grande vazio carnicento. Seguiu assim, vivo e morto, podre e limpo. Optou por não usar da sua vida e morrer de olhos abertos.
Quando morreu, nessa história não com um tiro nos miolos, uma lâmina no peito ou enfiada no estômago. Não, nessa história morreu de velho. Mas morreu tão sozinho quanto os outros. Nessa história, de morte prematura só o espírito. De amor só uma vaga ideia.