Hoje acordei tomado por uma tristeza insana. Petrificava meu coração. Estava presa em meus pulmões, sufocando. Nas minhas juntas. Era uma sombra pesada no meu quarto. Um caixão negro deitado ao meu lado, em minha cama. Hoje fui invadido por uma tristeza alucinada. Doía em cada parte do meu cérebro, ardia em meus olhos. Era tanta tristeza, que achei possível morrer dela.
No hálito da boca seca me levantei. Corri para o banho, tentando lavar o betume que assolava meu espírito que destruia minha alma. Deixei que a água corresse pelos meus pés, que lavasse minhas mãos, que tirasse de mim a sujeira que aquela tristeza doentia ousava deixar. Fiquei tempo suficiente para enrugar a pele de meus dedos e nem assim consegui me livrar de tamanha agonia.
Estava nos meus ossos, nos meus músculos, em cada célula, tecido, orgao e sistema.
Inexplicável sensação de impotência somou-se a anterior e descobri que já não tinha condições de me concentrar, que não conseguiria ser eu mesmo. Não sabia de onde surgia. Nas manchas vermelhas que deixei pelos cantos na confusão do ato demoníaco, nada de história havia para eu ler. Era apenas manchas de algo que lavei no chuveiro, mesmo que não bem o bastante pra tirá-lo de mim.
Acordei tomado por ela por motivos que não poderia descrever, que não teria forças ou coragem suficiente para contar. Se me chamasse de monstro, hoje o sentido estaria claro. O monstro que fui é aquele que me consome hoje. Acordei em meu próprio inferno. Ou pago pelos pecados numa prévia de purgatório. Tristeza dilacerante, carnívora, putrificando minha carne, estampada em minha pele. "Não foi de propósito baby, nunca é!".
O machado. O toque. O doce barulho. A loucura doida e insana de um instante de desespero, um instante de frustração. A morte e a satisfação instantânea, o sono, o onírico. Garanto baby, doeu (e ainda dói) muito mais em mim.
Não sei porque ainda brincamos disso. Me pergunto se alguma vez foi engraçado, se alguma vez foi prazeroso. Perdemos algo muitos quilometros atrás e sinceramente não sei o que foi, mas não somos mais os mesmos. Não conversamos como conversavamos e nossos assuntos logo nos levam a buracos que não queremos mexer. Não conseguimos nos olhar direito pois ambos sabemos que devemos. Devemos muito um pro outro. Não bastariam mais cervejas na mesa do bar, almoços na casa da mãe, desculpas nos e-mails e mensagens que nunca são respondidas. A gente se perdeu no caminho que decidimos trilhar sozinhos. Não é falta de amor. Não é falta de carinho. É distância. É essa vala entre nós, que não se representa em quilometros ou horas que demoramos pra nos ver, mas sim em coisas que não podemos pesar, que não são calculáveis. Se fossem só as discussões sobreviveriamos, se fossem diferenças de opiniões, se fosse falta de preocupação. Se quisessemos mesmo. Mas já perdemos a vontade... então não tem mais pra que fingir. Não existem mais motivos pra dizer que sente saudades, ou perguntar se estamos bem. Sabemos que estamos. Agora talvez nos reste o tempo dizendo o que não conseguimos ser. Os anos que carregaremos tentando vencer uma batalha perdida. Exaustos por uma guerra impossível. Vamos ter que aprender a conviver com aquilo que o outro não é mais, com aquilo que nunca vamos chegar perto de ter de novo. Altos e baixos vao sempre existir. Mas lá no fundo é tudo que teremos. Não vamos mais chorar um pelo outro, uma hora as discussões vão parar, tudo vai ser adequado, todas as aparências serão mantidas, todas as fachadas conservadas, todas as ilusões equilibradas. Mas aquele laço é pra sempre. E isso não pode ser ruim. Que não nos falte coragem.
Fico te procurando. Não te encontro.
Busco você do meu lado. Minhas mãos esperam encontrar as suas, meus braços querem se enroscar no seu corpo. Quero dormir do seu lado.
Mas, cadê?
Não sei nem se te conheço. Mas te busco. Porque preciso de você.
Então menina, se me ver na rua, se trombar comigo, diz que finalmente achei.
Se estiver conversando comigo, se me encontrar na livraria, diz que é você.
Se sentar do meu lado no cinema, se eu estiver com a mão no seu seio. Diz de uma vez: "sou eu".
Se estiver me lendo, ou se ler o velho safado.
Se estiver me vendo ser idiota. Grita logo que era você que eu procurava.
Se eu te der um fora, se você me der um tapa. Conta pra todo mundo e me faça saber.
Não quero mais ficar procurando e me perder em braços que não serão meus, em beijos indiferentes. Não suporto mais procurar nos sorrisos falsos e no sexo insosso.
Então baby, pára logo de me ignorar. E me faz saber.
Deixe que essa criança cresça livre. Deixe que ganhe o mundo.
Encha-a de cores, de texturas de sabores.
Deixe que a roupa dela fique suja, deixe que ela brinque com a comida.
Sorria com o brilho dos olhos dela. Sorria com o sorriso dela.
Não destrua os sonhos.
Deixe que eles fluam e faça com que ela desenhe.
Ensine-a a gostar de ler. Mostre esses mundos novos.
Deixe que ela chore e as vezes a faça chorar. Será necessário.
Mas tenha cuidado. Ela precisa de alguns "nãos".
Ela vai quebrar um ou outro osso. Cuide dela.
Ajude-a com as músicas. Acima de tudo não imponha seus gostos.
Ela vai dançar em círculos.
Faça ela sentar de índio. Deixe que ela tenha amigos.
Deixe que esses a influenciem.
Tenha ponderância.
Deixe ela ser um super-herói. Deixe que ela cresça crendo nisso.
Ao passo, ensine-a a fixar os pés. Mostre-a como andar.
Se ela se tornar um sonhador, seja sua realidade.
Ela vai te amar. Vai te odiar. Vai te amar de novo.
Deixe que ela seja criança.
Ela vai ter um futuro, ela será um bom adulto.
Ela vai precisar sentir medo.
Você vai ensiná-la a ter coragem.
Ela vai urinar na cama. Você a ensina a não fazer.
Talvez, ela tire sua paciência. Pense mais um pouco.
Não crie um monstro. Não crie uma máquina.
Crie um ser humano.
Ela vai precisar de sentimentos. De abraços. Beijos.
E um dia vai precisar de mais.
E quando esse dia chegar, quando ela desistir das asas.
Quando não usar mais a roupa de pirata.
Quando pedir as chaves do seu carro e quando bate-lo.
Quando quiser falar sobre sexo, camisinha.
Quando ela deixar de ser sua criança, deixe-a ser seu adulto.
Ela vai precisar de você ainda.
E você, é bom que esteja lá pra ela. Um dia, a criança será dela.
Ah se solto esse sonhador. Se deixo esse meu espírito aventureiro, desgovernado. Ah se não controlo esses planos e devaneios, se me deixo levar pelas minhas crenças, pelos meus complicados e sublimes sonhos.
Ah se eu não acreditasse tanto neles, se perdesse a fé e desistisse deles e deixasse eles ganharem vida, tomarem forma, aprenderem a falar e seguirem o mundo por si próprios, ah como seria. Seriam tão maiores e tão mais esplêndidos.
Mas controlo-os. Seguro esse crente que existe em mim. Esse sonhador que se ilude com o mundo que o cerca, que se engana com seus iguais e se enche de emoçao quando vê uma centelha daquilo que acha que é verdade acontecer.
Esse cara que gosta de palavras amigas e adora olhar o céu e que vê nas estrelas dimensões que nunca vão existir. Esse que enquanto dorme está acordado e se admira de fascinação enquanto mantém os olhos abertos.
Parafraseando a parte, mas seguro esse pássaro azul. Dele tiro forças pra continuar seguindo e ele tira de mim as cores pra pintar seu proprio mundo. Simbiose tamanha que não existimos sozinhos. Que bom que ainda sorrio.
Brincava de não ver a poesia e não usar de lirismo. São mais fortes, mais felizes esses que não enxergam tristeza e nem drama a não ser que estes pulem nos seus olhos. Mas perdem tantas cores. Antes de pensar em coisas como essas, via o mundo sem graça e cinza e nem precisava me preocupar. Ele era bom e justo daquele jeito.
Mas pensar é um fardo tão sem graça. Ver um sentido diferente é tão dolorido.
Só que uma vez que você conhece esse outro mundo, uma vez que você pensa e o entende em uma fagulha, essa única vez é suficiente. Diga adeus a seus amigos, adeus a seus familiares. Aprenda a viver com sua sombra, aprenda a gostar desse novo mundo. Uma vez visto é suficiente pra te transformar.
E é assim, quase simples. Quase imperceptível.
É a sua percepção que mudou. Seus sentimentos que encolheram, sua fome de conhecer que aumentou. Quer ter o universo preso em uma gaiola. Quer ter todas as dimensões presas na cabeça. Admita que você gosta de ser infeliz. Gosta de sentir esse prazer amargo de não ser mais um naquele mundo cinza.
Aí pare e reflita de novo. Pare e preste um pouco mais de atenção.
Só não queira deixar de viver.
E quando eu parar de fingir que te amo?
Quando cansar de alisar seu cabelo,
Massagear seus pés,
Beijar suas orelhas
E morder seu mamilo?
Diz que vai sentir minha falta,
fala que se arrepende
das palavras rasgadas,
dos tapas não dados,
da vida míseravel.
Grite, grite mesmo
Piranha sem emoções
Grite e esperneie
Na rua, na calçada.
Ah, se eu fingisse...
Mas mantenho tudo assim
Sigo te amando.
Sentindo o gosto do seu lábio,
Acordando com seu olhar.
Seguindo.
De quem se arrepende
No hálito da boca seca me levantei. Corri para o banho, tentando lavar o betume que assolava meu espírito que destruia minha alma. Deixei que a água corresse pelos meus pés, que lavasse minhas mãos, que tirasse de mim a sujeira que aquela tristeza doentia ousava deixar. Fiquei tempo suficiente para enrugar a pele de meus dedos e nem assim consegui me livrar de tamanha agonia.
Estava nos meus ossos, nos meus músculos, em cada célula, tecido, orgao e sistema.
Inexplicável sensação de impotência somou-se a anterior e descobri que já não tinha condições de me concentrar, que não conseguiria ser eu mesmo. Não sabia de onde surgia. Nas manchas vermelhas que deixei pelos cantos na confusão do ato demoníaco, nada de história havia para eu ler. Era apenas manchas de algo que lavei no chuveiro, mesmo que não bem o bastante pra tirá-lo de mim.
Acordei tomado por ela por motivos que não poderia descrever, que não teria forças ou coragem suficiente para contar. Se me chamasse de monstro, hoje o sentido estaria claro. O monstro que fui é aquele que me consome hoje. Acordei em meu próprio inferno. Ou pago pelos pecados numa prévia de purgatório. Tristeza dilacerante, carnívora, putrificando minha carne, estampada em minha pele. "Não foi de propósito baby, nunca é!".
O machado. O toque. O doce barulho. A loucura doida e insana de um instante de desespero, um instante de frustração. A morte e a satisfação instantânea, o sono, o onírico. Garanto baby, doeu (e ainda dói) muito mais em mim.
Sobre perder
Se não te achar...
Busco você do meu lado. Minhas mãos esperam encontrar as suas, meus braços querem se enroscar no seu corpo. Quero dormir do seu lado.
Mas, cadê?
Não sei nem se te conheço. Mas te busco. Porque preciso de você.
Então menina, se me ver na rua, se trombar comigo, diz que finalmente achei.
Se estiver conversando comigo, se me encontrar na livraria, diz que é você.
Se sentar do meu lado no cinema, se eu estiver com a mão no seu seio. Diz de uma vez: "sou eu".
Se estiver me lendo, ou se ler o velho safado.
Se estiver me vendo ser idiota. Grita logo que era você que eu procurava.
Se eu te der um fora, se você me der um tapa. Conta pra todo mundo e me faça saber.
Não quero mais ficar procurando e me perder em braços que não serão meus, em beijos indiferentes. Não suporto mais procurar nos sorrisos falsos e no sexo insosso.
Então baby, pára logo de me ignorar. E me faz saber.
Como (des)criar
Encha-a de cores, de texturas de sabores.
Deixe que a roupa dela fique suja, deixe que ela brinque com a comida.
Sorria com o brilho dos olhos dela. Sorria com o sorriso dela.
Não destrua os sonhos.
Deixe que eles fluam e faça com que ela desenhe.
Ensine-a a gostar de ler. Mostre esses mundos novos.
Deixe que ela chore e as vezes a faça chorar. Será necessário.
Mas tenha cuidado. Ela precisa de alguns "nãos".
Ela vai quebrar um ou outro osso. Cuide dela.
Ajude-a com as músicas. Acima de tudo não imponha seus gostos.
Ela vai dançar em círculos.
Faça ela sentar de índio. Deixe que ela tenha amigos.
Deixe que esses a influenciem.
Tenha ponderância.
Deixe ela ser um super-herói. Deixe que ela cresça crendo nisso.
Ao passo, ensine-a a fixar os pés. Mostre-a como andar.
Se ela se tornar um sonhador, seja sua realidade.
Ela vai te amar. Vai te odiar. Vai te amar de novo.
Deixe que ela seja criança.
Ela vai ter um futuro, ela será um bom adulto.
Ela vai precisar sentir medo.
Você vai ensiná-la a ter coragem.
Ela vai urinar na cama. Você a ensina a não fazer.
Talvez, ela tire sua paciência. Pense mais um pouco.
Não crie um monstro. Não crie uma máquina.
Crie um ser humano.
Ela vai precisar de sentimentos. De abraços. Beijos.
E um dia vai precisar de mais.
E quando esse dia chegar, quando ela desistir das asas.
Quando não usar mais a roupa de pirata.
Quando pedir as chaves do seu carro e quando bate-lo.
Quando quiser falar sobre sexo, camisinha.
Quando ela deixar de ser sua criança, deixe-a ser seu adulto.
Ela vai precisar de você ainda.
E você, é bom que esteja lá pra ela. Um dia, a criança será dela.
Se for pra sonhar...
Ah se eu não acreditasse tanto neles, se perdesse a fé e desistisse deles e deixasse eles ganharem vida, tomarem forma, aprenderem a falar e seguirem o mundo por si próprios, ah como seria. Seriam tão maiores e tão mais esplêndidos.
Mas controlo-os. Seguro esse crente que existe em mim. Esse sonhador que se ilude com o mundo que o cerca, que se engana com seus iguais e se enche de emoçao quando vê uma centelha daquilo que acha que é verdade acontecer.
Esse cara que gosta de palavras amigas e adora olhar o céu e que vê nas estrelas dimensões que nunca vão existir. Esse que enquanto dorme está acordado e se admira de fascinação enquanto mantém os olhos abertos.
Parafraseando a parte, mas seguro esse pássaro azul. Dele tiro forças pra continuar seguindo e ele tira de mim as cores pra pintar seu proprio mundo. Simbiose tamanha que não existimos sozinhos. Que bom que ainda sorrio.
Sobre visões
Mas pensar é um fardo tão sem graça. Ver um sentido diferente é tão dolorido.
Só que uma vez que você conhece esse outro mundo, uma vez que você pensa e o entende em uma fagulha, essa única vez é suficiente. Diga adeus a seus amigos, adeus a seus familiares. Aprenda a viver com sua sombra, aprenda a gostar desse novo mundo. Uma vez visto é suficiente pra te transformar.
E é assim, quase simples. Quase imperceptível.
É a sua percepção que mudou. Seus sentimentos que encolheram, sua fome de conhecer que aumentou. Quer ter o universo preso em uma gaiola. Quer ter todas as dimensões presas na cabeça. Admita que você gosta de ser infeliz. Gosta de sentir esse prazer amargo de não ser mais um naquele mundo cinza.
Aí pare e reflita de novo. Pare e preste um pouco mais de atenção.
Só não queira deixar de viver.
Porque é sempre por nao ser.
Quando cansar de alisar seu cabelo,
Massagear seus pés,
Beijar suas orelhas
E morder seu mamilo?
Diz que vai sentir minha falta,
fala que se arrepende
das palavras rasgadas,
dos tapas não dados,
da vida míseravel.
Grite, grite mesmo
Piranha sem emoções
Grite e esperneie
Na rua, na calçada.
Ah, se eu fingisse...
Mas mantenho tudo assim
Sigo te amando.
Sentindo o gosto do seu lábio,
Acordando com seu olhar.
Seguindo.