Mentaótico

Ótica mental cheia de hortelã!

Não sei se é por medo. Se é puro egoísmo. Se é impaciência, auto-sabotagem, menosprezo. Mas sempre deixo que as coisas passem. Coisas, pessoas, minha vida. Escondido atrás de preocupações empáticas, tento encontrar razões reais pra não enfrentar. Razões pra poder fugir. Mas de novo acabo perdendo...


"Mas ela escolheu ficar comigo. Tenho que respeitar a opinião dela..." - Phoebe (Friends)

Pelo menos dessa vez espero ter feito o correto. Espero tanto...

E se pudesse desejaria felicidade. Ia querer que ela se libertasse da presença constante dele no seu coração e seguisse a vida. Não era indiferença da parte dele. Só não se sentia no direito de ter o controle sobre o amor que ela sentia. Ele não queria ser responsável por aquilo. E não era por falta de amor, porque deus sabia quanto amor ele guardava dentro dele. Era só inabilidade. Queria que ela fosse porque não podia dar a felicidade que esperava que ela tivesse. Mas como desejaria felicidade pra ela, como esperaria que ela encontrasse isso em outros braços se seria o mesmo que se banhar em uma poça de veneno e amargurar o doce sabor da perca? Como ele diria "então vá, baby, encontre os segredos do mundo, vá sem mim e nos braços de outro encontre aquilo que não quis te dar"? Como ele diria isso, se ela era o ar e a água, se naquela menina ele encontrava razões para se desafiar a sair da cama nas manhãs nubladas, fazer o café e dizer bom-dia. Era nela que pensava quando construia castelos no ar e elevava casas na areia. Quando mobiliava quartos de paraná e rascunhava blocos vazios tentando encaixar existências tão afim. Se quando ele trocava o tênis ao sair era só porque ela não gostava do seu tênis velho e confortável. Se ele largara os cigarros porque ela ficava com o nariz vermelho e a voz enroscada. Se ele deixara de lado seus filmes bobos, porque com ela entendia aqueles filmes sem sentido. Não mudou por ela, só se adaptou. E como deixaria a adaptação de lado pra mandá-la embora. Não queria o amor dela, mas não sabia como viver sem ele. Não queria se responsabilizar, mas há muito já a tinha cativada, acuada. Tinha se cativado e por ser frio demais pra aceitar desejava que ela o deixasse com seus motivos pra não querer viver. Ela o enchia de uma força que ele gostava de ter perdido.

Tenho a mente cheia de merdas

Envenenada pelas doenças de minha geração
Geração que supera o moderno
Sem se modernizar

(Que se considera contemporânea
Vivendo das glórias do passado.)

Tenho a memória cheia de lapsos,
Criados pelas drogas de todos os tempos
Drogas radioativas, raivosas
Nervosas em seu novo passado.

Tenho a cabeça perdida em pensamentos
Que agem como balas
Perfuram ideias, explodem conceitos
Abusam das lentas novidades.

Tenho a alma fraturada pela vida
Rasgada, queimada, desonrada.
Nas inspirações e nas expirações
Em cada movimento torácico.

Maldito corpo flagelado
Morto e vivo
Desencontrado em seu caminho
Andante de um mundo que não escolheu pra si.

(triste sorriso que se desembaraça
num dia tão nublado)

Estava sentado no meu sofá, pensando. Pensei nas coisas que aprendi e nas que eu deixei de lado por acidente ou de propósito. Vi o tempo passar, mais rápido do que eu estava acostumado. Vi tudo correr, em velocidades que não pude acompanhar. O mundo quis rodar, tudo enquanto não saí do sofá.


É uma insegurança confusa. Cansar de falar de você e não ter mais nada pra falar. Recusar-se a contar suas histórias e ver que não tem nenhuma pra ouvir. Olhar pro mundo humildemente e sentir que não era bem aquilo que você pensava. Esse turbilhão de pensamentos incoerentes te levaram a lugar nenhum e agora você se pergunta se pode continuar. Se pergunta se consegue seguir em frente...


Não é mais aquele desespero dos 15 anos, não é aquela preocupação infantil, não é aquele medo do novo. Você foi insistente o bastante pra concretizar aquilo que desejava, mas já não vê mais aquela força que existia, aquela vontade, quase necessidade de ir atrás dos planos feitos. Você conseguiu. Chegou lá. Mas nunca pensou no que faria depois. No que faria durante.

Esqueceu de planejar o percurso e agora tá aí, sentindo que não tem mais chão. Pois se não tivesse nem pensado em planejamento, se não precisasse prever e conseguisse ser espontâneo, se soubesse lidar com esse mundo que é cruel, sim é cruel, mas ainda assim é carinhoso o bastante pra te carregar em posição confortavel, talvez não achasse que está fazendo errado. Talvez conseguisse ficar feliz apenas por momentos.

Mas não. Esse é o desespero do adulto que cresce em você. É o homem que não mais tenta te convencer, mas grita e se impõe. E isso sim é cruel. Você não entende o que ele diz, você não entende porque deve obedece-lo, você ainda pensa que é uma criança, mesmo que até o seu físico diga o contrário. Você tenta reconhece-lo e não enxerga nada. Ele é você e você não consegue acreditar, desafia.

Ele ri.

E logo, vocês acabam concordando.

Tá bom baby, eu saio da sua vida. Pelo menos me tiro dela. Mas não é assim que você se livra de mim. Vou ficar na suas músicas e vou tocar na sua playlist. Vou cantar nas letras das bandas que você aprendeu a gostar e vou dedilhar os acordes da marcha fúnebre desse caso mal começado. Pois você vai seguir na "estrada do inferno" que eu tratei de sinalizar.

Vou aparecer de figurante nos filmes. Vou estar sentado do seu lado do cinema. Você vai me procurar e não vai encontrar. E vai ser assim, díficil e dessa vez mais do que em todas as outras vou gritar aliviado que a culpa não foi minha, que as decisões erradas não foram minhas, que as ilusões criadas não foram alimentadas pelo meu espírito insensivel.

Se tivesse dito que te amo, se tivesse apostado mais alto. Mas isso nunca aconteceu.

Sim, esse sou eu sendo egoísta, sendo infantil, sendo miserável. Esse sou eu negando seu amor e dizendo que fiz o possível pra acreditar que dava. É mas não dá. Então, você vai se entregar a outros amores e espero que ache um que te satisfaça. Que satisfaça seu senso de maturidade e sua vontade louca de aventuras inexistentes. Esse não sou eu.

Mas no fundo, sou um fraco que quer te ver feliz. Mas agora bem longe de mim.

Tentou não cobrar as velhas promessas e se manter afastada do telefone. Não discou os números, nem ouviu o recado da caixa postal. Tratou de lavar o rosto e tirar a maquiagem. Decidiu por tomar um banho, trocar a calcinha. Lavar o cheiro da última vez. Percebeu que chorou a toa e sorriu pro espelho. No quarto, se perfumou. Secou os cabelos, se arrumou. Sorrindo pro espelho, tinha sobrevivido.

Só que sobreviver não é esquecer. Fora a última vez. Um "nós" já não existia faz tempo, ambos já sabiam. Ainda que doesse menos, doía. Não atendeu as ligações, apagou os e-mails, recusou as flores. Bebeu um pouco, fumou um pouco mais. Clareou suas ideias, criou poemas pobres e desenhos rabiscados. Fez o que pode pra aquietar a memória.

Saiu. Encontrou em outros braços o alento em outros sexos alivio em outras bocas calor em outros risos outras pessoas. Mas são sempre outros. Então decidiu estar sozinha. Decidiu tantas coisas, achou que tinha perdido o coração. Mas percebeu que na verdade, havia esquecido-o em outro lugar. Foi procurar.

Usou a chave que não devolveu. Dentro do apartamento, procurou pelas mesas. Vendo que não ia encontra-lo por ali, olhou as gavetas, no meio das meias, das roupas de baixo. No guarda-roupa. Sentindo o desespero, ou no mínimo começando a se preocupar, olhou no banheiro, na pia, no ralo. Não achou. Ouviu a porta se abrindo e o que tanto evitou acontecendo.

Olhou nos olhos dele e viu sua memória acordar. Ouviu da boca dele e finalmente obteve a resposta pro que lhe afligia.

-"Tá na geladeira. Quando você saiu pela porta, dizendo que não voltava, não sabia o que fazer. Ainda tínhamos algo, mas nunca julgamos direito. Quando você saiu pela porta, fui pro quarto. Vi cacos. Cacos por todos os lados. Nas fotos. Nos livros. Achei cacos enquanto tomava banho. Pedaços embaixo do sofá, nos bolsos das minhas roupas. Foi difícil juntá-los. Confesso que pensei em desistir e procurei por outros que estivessem inteiros. Mas não podia ter nenhum, se já não tinha nada a dar em troca. Então continuei. E consegui. Quando o vi inteiro de novo, mesmo com as marcas, sabia que ainda existia algo que podia nos fazer feliz e sabia que você viria buscá-lo. Então coloquei lá no fundo da geladeira. Tive medo que ele apodrecesse e eu nunca mais conseguisse arrumar. Tá lá, guardado, esperando a dona."

Sorriu de novo. Não se impressionou. Tirou da bolsa aquele que tinha levado consigo e devolveu pro dono. "Toma, é seu...". Foi até a geladeira, pegou aquilo que era dela. "Que bom que o arrumou, que bom que ainda acreditou em nós. Mas isso já não existe."

Saiu pela mesma porta que entrou. Dessa vez devolveu tudo. As chaves, o amor. Não levou nada dali consigo, a não ser o que já era seu. Sorria satisfeita, calou a memória. Se livrou daquilo. Agora, tinha de novo o que precisava pra seguir em frente. Se alguém morre aqui é só o brega do amor. Que sempre pode nascer de novo...

Não sei se é por medo. Se é puro egoísmo. Se é impaciência, auto-sabotagem, menosprezo. Mas sempre deixo que as coisas passem. Coisas, pessoas, minha vida. Escondido atrás de preocupações empáticas, tento encontrar razões reais pra não enfrentar. Razões pra poder fugir. Mas de novo acabo perdendo...

"Mas ela escolheu ficar comigo. Tenho que respeitar a opinião dela..." - Phoebe (Friends)

Pelo menos dessa vez espero ter feito o correto. Espero tanto...
E se pudesse desejaria felicidade. Ia querer que ela se libertasse da presença constante dele no seu coração e seguisse a vida. Não era indiferença da parte dele. Só não se sentia no direito de ter o controle sobre o amor que ela sentia. Ele não queria ser responsável por aquilo. E não era por falta de amor, porque deus sabia quanto amor ele guardava dentro dele. Era só inabilidade. Queria que ela fosse porque não podia dar a felicidade que esperava que ela tivesse. Mas como desejaria felicidade pra ela, como esperaria que ela encontrasse isso em outros braços se seria o mesmo que se banhar em uma poça de veneno e amargurar o doce sabor da perca? Como ele diria "então vá, baby, encontre os segredos do mundo, vá sem mim e nos braços de outro encontre aquilo que não quis te dar"? Como ele diria isso, se ela era o ar e a água, se naquela menina ele encontrava razões para se desafiar a sair da cama nas manhãs nubladas, fazer o café e dizer bom-dia. Era nela que pensava quando construia castelos no ar e elevava casas na areia. Quando mobiliava quartos de paraná e rascunhava blocos vazios tentando encaixar existências tão afim. Se quando ele trocava o tênis ao sair era só porque ela não gostava do seu tênis velho e confortável. Se ele largara os cigarros porque ela ficava com o nariz vermelho e a voz enroscada. Se ele deixara de lado seus filmes bobos, porque com ela entendia aqueles filmes sem sentido. Não mudou por ela, só se adaptou. E como deixaria a adaptação de lado pra mandá-la embora. Não queria o amor dela, mas não sabia como viver sem ele. Não queria se responsabilizar, mas há muito já a tinha cativada, acuada. Tinha se cativado e por ser frio demais pra aceitar desejava que ela o deixasse com seus motivos pra não querer viver. Ela o enchia de uma força que ele gostava de ter perdido.

Pelos meus

Tenho a mente cheia de merdas
Envenenada pelas doenças de minha geração
Geração que supera o moderno
Sem se modernizar

(Que se considera contemporânea
Vivendo das glórias do passado.)

Tenho a memória cheia de lapsos,
Criados pelas drogas de todos os tempos
Drogas radioativas, raivosas
Nervosas em seu novo passado.

Tenho a cabeça perdida em pensamentos
Que agem como balas
Perfuram ideias, explodem conceitos
Abusam das lentas novidades.

Tenho a alma fraturada pela vida
Rasgada, queimada, desonrada.
Nas inspirações e nas expirações
Em cada movimento torácico.

Maldito corpo flagelado
Morto e vivo
Desencontrado em seu caminho
Andante de um mundo que não escolheu pra si.

(triste sorriso que se desembaraça
num dia tão nublado)
Estava sentado no meu sofá, pensando. Pensei nas coisas que aprendi e nas que eu deixei de lado por acidente ou de propósito. Vi o tempo passar, mais rápido do que eu estava acostumado. Vi tudo correr, em velocidades que não pude acompanhar. O mundo quis rodar, tudo enquanto não saí do sofá.

É uma insegurança confusa. Cansar de falar de você e não ter mais nada pra falar. Recusar-se a contar suas histórias e ver que não tem nenhuma pra ouvir. Olhar pro mundo humildemente e sentir que não era bem aquilo que você pensava. Esse turbilhão de pensamentos incoerentes te levaram a lugar nenhum e agora você se pergunta se pode continuar. Se pergunta se consegue seguir em frente...

Não é mais aquele desespero dos 15 anos, não é aquela preocupação infantil, não é aquele medo do novo. Você foi insistente o bastante pra concretizar aquilo que desejava, mas já não vê mais aquela força que existia, aquela vontade, quase necessidade de ir atrás dos planos feitos. Você conseguiu. Chegou lá. Mas nunca pensou no que faria depois. No que faria durante.

Esqueceu de planejar o percurso e agora tá aí, sentindo que não tem mais chão. Pois se não tivesse nem pensado em planejamento, se não precisasse prever e conseguisse ser espontâneo, se soubesse lidar com esse mundo que é cruel, sim é cruel, mas ainda assim é carinhoso o bastante pra te carregar em posição confortavel, talvez não achasse que está fazendo errado. Talvez conseguisse ficar feliz apenas por momentos.

Mas não. Esse é o desespero do adulto que cresce em você. É o homem que não mais tenta te convencer, mas grita e se impõe. E isso sim é cruel. Você não entende o que ele diz, você não entende porque deve obedece-lo, você ainda pensa que é uma criança, mesmo que até o seu físico diga o contrário. Você tenta reconhece-lo e não enxerga nada. Ele é você e você não consegue acreditar, desafia.

Ele ri.

E logo, vocês acabam concordando.

Carta de (pós)apresentação

Tá bom baby, eu saio da sua vida. Pelo menos me tiro dela. Mas não é assim que você se livra de mim. Vou ficar na suas músicas e vou tocar na sua playlist. Vou cantar nas letras das bandas que você aprendeu a gostar e vou dedilhar os acordes da marcha fúnebre desse caso mal começado. Pois você vai seguir na "estrada do inferno" que eu tratei de sinalizar.

Vou aparecer de figurante nos filmes. Vou estar sentado do seu lado do cinema. Você vai me procurar e não vai encontrar. E vai ser assim, díficil e dessa vez mais do que em todas as outras vou gritar aliviado que a culpa não foi minha, que as decisões erradas não foram minhas, que as ilusões criadas não foram alimentadas pelo meu espírito insensivel.

Se tivesse dito que te amo, se tivesse apostado mais alto. Mas isso nunca aconteceu.

Sim, esse sou eu sendo egoísta, sendo infantil, sendo miserável. Esse sou eu negando seu amor e dizendo que fiz o possível pra acreditar que dava. É mas não dá. Então, você vai se entregar a outros amores e espero que ache um que te satisfaça. Que satisfaça seu senso de maturidade e sua vontade louca de aventuras inexistentes. Esse não sou eu.

Mas no fundo, sou um fraco que quer te ver feliz. Mas agora bem longe de mim.

De consertar e seguir

Tentou não cobrar as velhas promessas e se manter afastada do telefone. Não discou os números, nem ouviu o recado da caixa postal. Tratou de lavar o rosto e tirar a maquiagem. Decidiu por tomar um banho, trocar a calcinha. Lavar o cheiro da última vez. Percebeu que chorou a toa e sorriu pro espelho. No quarto, se perfumou. Secou os cabelos, se arrumou. Sorrindo pro espelho, tinha sobrevivido.

Só que sobreviver não é esquecer. Fora a última vez. Um "nós" já não existia faz tempo, ambos já sabiam. Ainda que doesse menos, doía. Não atendeu as ligações, apagou os e-mails, recusou as flores. Bebeu um pouco, fumou um pouco mais. Clareou suas ideias, criou poemas pobres e desenhos rabiscados. Fez o que pode pra aquietar a memória.

Saiu. Encontrou em outros braços o alento em outros sexos alivio em outras bocas calor em outros risos outras pessoas. Mas são sempre outros. Então decidiu estar sozinha. Decidiu tantas coisas, achou que tinha perdido o coração. Mas percebeu que na verdade, havia esquecido-o em outro lugar. Foi procurar.

Usou a chave que não devolveu. Dentro do apartamento, procurou pelas mesas. Vendo que não ia encontra-lo por ali, olhou as gavetas, no meio das meias, das roupas de baixo. No guarda-roupa. Sentindo o desespero, ou no mínimo começando a se preocupar, olhou no banheiro, na pia, no ralo. Não achou. Ouviu a porta se abrindo e o que tanto evitou acontecendo.

Olhou nos olhos dele e viu sua memória acordar. Ouviu da boca dele e finalmente obteve a resposta pro que lhe afligia.

-"Tá na geladeira. Quando você saiu pela porta, dizendo que não voltava, não sabia o que fazer. Ainda tínhamos algo, mas nunca julgamos direito. Quando você saiu pela porta, fui pro quarto. Vi cacos. Cacos por todos os lados. Nas fotos. Nos livros. Achei cacos enquanto tomava banho. Pedaços embaixo do sofá, nos bolsos das minhas roupas. Foi difícil juntá-los. Confesso que pensei em desistir e procurei por outros que estivessem inteiros. Mas não podia ter nenhum, se já não tinha nada a dar em troca. Então continuei. E consegui. Quando o vi inteiro de novo, mesmo com as marcas, sabia que ainda existia algo que podia nos fazer feliz e sabia que você viria buscá-lo. Então coloquei lá no fundo da geladeira. Tive medo que ele apodrecesse e eu nunca mais conseguisse arrumar. Tá lá, guardado, esperando a dona."

Sorriu de novo. Não se impressionou. Tirou da bolsa aquele que tinha levado consigo e devolveu pro dono. "Toma, é seu...". Foi até a geladeira, pegou aquilo que era dela. "Que bom que o arrumou, que bom que ainda acreditou em nós. Mas isso já não existe."

Saiu pela mesma porta que entrou. Dessa vez devolveu tudo. As chaves, o amor. Não levou nada dali consigo, a não ser o que já era seu. Sorria satisfeita, calou a memória. Se livrou daquilo. Agora, tinha de novo o que precisava pra seguir em frente. Se alguém morre aqui é só o brega do amor. Que sempre pode nascer de novo...

Ótica mental cheia de hortelã!

Café forte e sem açúcar!