Mentaótico

Ótica mental cheia de hortelã!

Era um desses dias que eu estava decidido a não falar sobre nós dois. Tinha dito que beberia e esqueceria de mim. Bebi e lembrei de você. O problema é que te amo e isso é realmente uma droga. Droga alucinógena, pesada, que queima minha garganta, destrói meus neurônios. Sou um viciado. E como todo viciado é no ódio que sinto por você que encontro forças pra sustentar tanto amor. Sinto uma tristeza se espalhando por mim, tomando conta dos meus sentidos. Maldita. Queria te cortar fora como um pedaço de unha, queria te amassar como amasso meus poemas de mal gosto, queria te apagar como apago meus rabiscos mal riscados no papel. Maldita de novo.


O entorpecimento logo passa, você é jogado na gostosa depressão de sentir a merda daquilo que fez. E sabe que vai procurar por aquilo de novo. Ah como quero me livrar de você. Ah como quero seguir. Maldita. Maldita, maldita, maldita. Estou cansado, sofrendo porque não sei o que fazer com nós dois. Pegue, leve essas lágrimas de um velho exausto que não aprendeu com a vida como agir. Acabarei confortando minha dor em seus abraços de novo. Secando o tormento no seu cabelo. Me decepcionarei de novo. Maldita.

O alcool correndo

Arrastando minha emoção
Fervendo meu sangue
Queimando.

A irrealidade de estar de novo
Assim, fugindo do que me assusta
Daquilo que não me deixa,
Dormir, sonhar. Acordar.

É o entorpecimento
Que me impede de cair
Em coma. De não sair dele.

Saber que não preciso enfrentar
O mundo todo dia
Que tenho pra onde fugir,
Tenho como não andar pisando na merda.

E você me culparia por isso?
Seria eu um delinquente?
Ou seria você um hipócrita?

Ponha sua cabeça no travesseiro
Durma seu sono sóbrio
Deixe que na sarcástica ilusão
Eu possa ver meu caminho.

Não sei se é por medo. Se é puro egoísmo. Se é impaciência, auto-sabotagem, menosprezo. Mas sempre deixo que as coisas passem. Coisas, pessoas, minha vida. Escondido atrás de preocupações empáticas, tento encontrar razões reais pra não enfrentar. Razões pra poder fugir. Mas de novo acabo perdendo...


"Mas ela escolheu ficar comigo. Tenho que respeitar a opinião dela..." - Phoebe (Friends)

Pelo menos dessa vez espero ter feito o correto. Espero tanto...

E se pudesse desejaria felicidade. Ia querer que ela se libertasse da presença constante dele no seu coração e seguisse a vida. Não era indiferença da parte dele. Só não se sentia no direito de ter o controle sobre o amor que ela sentia. Ele não queria ser responsável por aquilo. E não era por falta de amor, porque deus sabia quanto amor ele guardava dentro dele. Era só inabilidade. Queria que ela fosse porque não podia dar a felicidade que esperava que ela tivesse. Mas como desejaria felicidade pra ela, como esperaria que ela encontrasse isso em outros braços se seria o mesmo que se banhar em uma poça de veneno e amargurar o doce sabor da perca? Como ele diria "então vá, baby, encontre os segredos do mundo, vá sem mim e nos braços de outro encontre aquilo que não quis te dar"? Como ele diria isso, se ela era o ar e a água, se naquela menina ele encontrava razões para se desafiar a sair da cama nas manhãs nubladas, fazer o café e dizer bom-dia. Era nela que pensava quando construia castelos no ar e elevava casas na areia. Quando mobiliava quartos de paraná e rascunhava blocos vazios tentando encaixar existências tão afim. Se quando ele trocava o tênis ao sair era só porque ela não gostava do seu tênis velho e confortável. Se ele largara os cigarros porque ela ficava com o nariz vermelho e a voz enroscada. Se ele deixara de lado seus filmes bobos, porque com ela entendia aqueles filmes sem sentido. Não mudou por ela, só se adaptou. E como deixaria a adaptação de lado pra mandá-la embora. Não queria o amor dela, mas não sabia como viver sem ele. Não queria se responsabilizar, mas há muito já a tinha cativada, acuada. Tinha se cativado e por ser frio demais pra aceitar desejava que ela o deixasse com seus motivos pra não querer viver. Ela o enchia de uma força que ele gostava de ter perdido.

Tenho a mente cheia de merdas

Envenenada pelas doenças de minha geração
Geração que supera o moderno
Sem se modernizar

(Que se considera contemporânea
Vivendo das glórias do passado.)

Tenho a memória cheia de lapsos,
Criados pelas drogas de todos os tempos
Drogas radioativas, raivosas
Nervosas em seu novo passado.

Tenho a cabeça perdida em pensamentos
Que agem como balas
Perfuram ideias, explodem conceitos
Abusam das lentas novidades.

Tenho a alma fraturada pela vida
Rasgada, queimada, desonrada.
Nas inspirações e nas expirações
Em cada movimento torácico.

Maldito corpo flagelado
Morto e vivo
Desencontrado em seu caminho
Andante de um mundo que não escolheu pra si.

(triste sorriso que se desembaraça
num dia tão nublado)

Estava sentado no meu sofá, pensando. Pensei nas coisas que aprendi e nas que eu deixei de lado por acidente ou de propósito. Vi o tempo passar, mais rápido do que eu estava acostumado. Vi tudo correr, em velocidades que não pude acompanhar. O mundo quis rodar, tudo enquanto não saí do sofá.


É uma insegurança confusa. Cansar de falar de você e não ter mais nada pra falar. Recusar-se a contar suas histórias e ver que não tem nenhuma pra ouvir. Olhar pro mundo humildemente e sentir que não era bem aquilo que você pensava. Esse turbilhão de pensamentos incoerentes te levaram a lugar nenhum e agora você se pergunta se pode continuar. Se pergunta se consegue seguir em frente...


Não é mais aquele desespero dos 15 anos, não é aquela preocupação infantil, não é aquele medo do novo. Você foi insistente o bastante pra concretizar aquilo que desejava, mas já não vê mais aquela força que existia, aquela vontade, quase necessidade de ir atrás dos planos feitos. Você conseguiu. Chegou lá. Mas nunca pensou no que faria depois. No que faria durante.

Esqueceu de planejar o percurso e agora tá aí, sentindo que não tem mais chão. Pois se não tivesse nem pensado em planejamento, se não precisasse prever e conseguisse ser espontâneo, se soubesse lidar com esse mundo que é cruel, sim é cruel, mas ainda assim é carinhoso o bastante pra te carregar em posição confortavel, talvez não achasse que está fazendo errado. Talvez conseguisse ficar feliz apenas por momentos.

Mas não. Esse é o desespero do adulto que cresce em você. É o homem que não mais tenta te convencer, mas grita e se impõe. E isso sim é cruel. Você não entende o que ele diz, você não entende porque deve obedece-lo, você ainda pensa que é uma criança, mesmo que até o seu físico diga o contrário. Você tenta reconhece-lo e não enxerga nada. Ele é você e você não consegue acreditar, desafia.

Ele ri.

E logo, vocês acabam concordando.

Era um desses dias que eu estava decidido a não falar sobre nós dois. Tinha dito que beberia e esqueceria de mim. Bebi e lembrei de você. O problema é que te amo e isso é realmente uma droga. Droga alucinógena, pesada, que queima minha garganta, destrói meus neurônios. Sou um viciado. E como todo viciado é no ódio que sinto por você que encontro forças pra sustentar tanto amor. Sinto uma tristeza se espalhando por mim, tomando conta dos meus sentidos. Maldita. Queria te cortar fora como um pedaço de unha, queria te amassar como amasso meus poemas de mal gosto, queria te apagar como apago meus rabiscos mal riscados no papel. Maldita de novo.

O entorpecimento logo passa, você é jogado na gostosa depressão de sentir a merda daquilo que fez. E sabe que vai procurar por aquilo de novo. Ah como quero me livrar de você. Ah como quero seguir. Maldita. Maldita, maldita, maldita. Estou cansado, sofrendo porque não sei o que fazer com nós dois. Pegue, leve essas lágrimas de um velho exausto que não aprendeu com a vida como agir. Acabarei confortando minha dor em seus abraços de novo. Secando o tormento no seu cabelo. Me decepcionarei de novo. Maldita.

Luzes

O alcool correndo
Arrastando minha emoção
Fervendo meu sangue
Queimando.

A irrealidade de estar de novo
Assim, fugindo do que me assusta
Daquilo que não me deixa,
Dormir, sonhar. Acordar.

É o entorpecimento
Que me impede de cair
Em coma. De não sair dele.

Saber que não preciso enfrentar
O mundo todo dia
Que tenho pra onde fugir,
Tenho como não andar pisando na merda.

E você me culparia por isso?
Seria eu um delinquente?
Ou seria você um hipócrita?

Ponha sua cabeça no travesseiro
Durma seu sono sóbrio
Deixe que na sarcástica ilusão
Eu possa ver meu caminho.
Não sei se é por medo. Se é puro egoísmo. Se é impaciência, auto-sabotagem, menosprezo. Mas sempre deixo que as coisas passem. Coisas, pessoas, minha vida. Escondido atrás de preocupações empáticas, tento encontrar razões reais pra não enfrentar. Razões pra poder fugir. Mas de novo acabo perdendo...

"Mas ela escolheu ficar comigo. Tenho que respeitar a opinião dela..." - Phoebe (Friends)

Pelo menos dessa vez espero ter feito o correto. Espero tanto...
E se pudesse desejaria felicidade. Ia querer que ela se libertasse da presença constante dele no seu coração e seguisse a vida. Não era indiferença da parte dele. Só não se sentia no direito de ter o controle sobre o amor que ela sentia. Ele não queria ser responsável por aquilo. E não era por falta de amor, porque deus sabia quanto amor ele guardava dentro dele. Era só inabilidade. Queria que ela fosse porque não podia dar a felicidade que esperava que ela tivesse. Mas como desejaria felicidade pra ela, como esperaria que ela encontrasse isso em outros braços se seria o mesmo que se banhar em uma poça de veneno e amargurar o doce sabor da perca? Como ele diria "então vá, baby, encontre os segredos do mundo, vá sem mim e nos braços de outro encontre aquilo que não quis te dar"? Como ele diria isso, se ela era o ar e a água, se naquela menina ele encontrava razões para se desafiar a sair da cama nas manhãs nubladas, fazer o café e dizer bom-dia. Era nela que pensava quando construia castelos no ar e elevava casas na areia. Quando mobiliava quartos de paraná e rascunhava blocos vazios tentando encaixar existências tão afim. Se quando ele trocava o tênis ao sair era só porque ela não gostava do seu tênis velho e confortável. Se ele largara os cigarros porque ela ficava com o nariz vermelho e a voz enroscada. Se ele deixara de lado seus filmes bobos, porque com ela entendia aqueles filmes sem sentido. Não mudou por ela, só se adaptou. E como deixaria a adaptação de lado pra mandá-la embora. Não queria o amor dela, mas não sabia como viver sem ele. Não queria se responsabilizar, mas há muito já a tinha cativada, acuada. Tinha se cativado e por ser frio demais pra aceitar desejava que ela o deixasse com seus motivos pra não querer viver. Ela o enchia de uma força que ele gostava de ter perdido.

Pelos meus

Tenho a mente cheia de merdas
Envenenada pelas doenças de minha geração
Geração que supera o moderno
Sem se modernizar

(Que se considera contemporânea
Vivendo das glórias do passado.)

Tenho a memória cheia de lapsos,
Criados pelas drogas de todos os tempos
Drogas radioativas, raivosas
Nervosas em seu novo passado.

Tenho a cabeça perdida em pensamentos
Que agem como balas
Perfuram ideias, explodem conceitos
Abusam das lentas novidades.

Tenho a alma fraturada pela vida
Rasgada, queimada, desonrada.
Nas inspirações e nas expirações
Em cada movimento torácico.

Maldito corpo flagelado
Morto e vivo
Desencontrado em seu caminho
Andante de um mundo que não escolheu pra si.

(triste sorriso que se desembaraça
num dia tão nublado)
Estava sentado no meu sofá, pensando. Pensei nas coisas que aprendi e nas que eu deixei de lado por acidente ou de propósito. Vi o tempo passar, mais rápido do que eu estava acostumado. Vi tudo correr, em velocidades que não pude acompanhar. O mundo quis rodar, tudo enquanto não saí do sofá.

É uma insegurança confusa. Cansar de falar de você e não ter mais nada pra falar. Recusar-se a contar suas histórias e ver que não tem nenhuma pra ouvir. Olhar pro mundo humildemente e sentir que não era bem aquilo que você pensava. Esse turbilhão de pensamentos incoerentes te levaram a lugar nenhum e agora você se pergunta se pode continuar. Se pergunta se consegue seguir em frente...

Não é mais aquele desespero dos 15 anos, não é aquela preocupação infantil, não é aquele medo do novo. Você foi insistente o bastante pra concretizar aquilo que desejava, mas já não vê mais aquela força que existia, aquela vontade, quase necessidade de ir atrás dos planos feitos. Você conseguiu. Chegou lá. Mas nunca pensou no que faria depois. No que faria durante.

Esqueceu de planejar o percurso e agora tá aí, sentindo que não tem mais chão. Pois se não tivesse nem pensado em planejamento, se não precisasse prever e conseguisse ser espontâneo, se soubesse lidar com esse mundo que é cruel, sim é cruel, mas ainda assim é carinhoso o bastante pra te carregar em posição confortavel, talvez não achasse que está fazendo errado. Talvez conseguisse ficar feliz apenas por momentos.

Mas não. Esse é o desespero do adulto que cresce em você. É o homem que não mais tenta te convencer, mas grita e se impõe. E isso sim é cruel. Você não entende o que ele diz, você não entende porque deve obedece-lo, você ainda pensa que é uma criança, mesmo que até o seu físico diga o contrário. Você tenta reconhece-lo e não enxerga nada. Ele é você e você não consegue acreditar, desafia.

Ele ri.

E logo, vocês acabam concordando.

Ótica mental cheia de hortelã!

Café forte e sem açúcar!